Pesquisadores avaliarão bioenergia para a Unesco
Pesquisadores dos programas Fapesp de pesquisa em Bioenergia (Bioen), Biodiversidade (Biota) e Mudanças Climáticas foram convidados pela Secretaria do Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope), sediado na Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a realizar um Processo Rápido de Avaliação sobre biocombustíveis e sustentabilidade.
Entre os participantes está o professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), Reynaldo Victoria, membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.
A avaliação deverá resultar em um “Resumo de políticas” contendo uma série de recomendações da academia, indústrias, instituições governamentais e não governamentais (ONGs) para apoiar a tomada de decisões relacionadas a biocombustíveis e sustentabilidade por parte de empresas, governos e instituições internacionais associadas à Organização das Nações Unidas (ONU).
Esta será a segunda avaliação sobre biocombustíveis e sustentabilidade realizada pelo comitê, que já produziu relatórios sobre outros temas, como mudanças ambientais globais, segurança alimentar e biodiversidade. “O primeiro levantamento feito em 2009, agora estamos revisando para saber o que aconteceu com os biocombustíveis neste período”, afirmou Victoria.
A primeira avaliação, liderada por pesquisadores da Universidade de Cornell, dos Estados Unidos, publicada em junho de 2009, com base em dados reunidos até 2007, contou com a colaboração de outro professor do Cena/USP, Luiz Antonio Martinelli, que foi membro da coordenação do programa Biota-Fapesp de 2002 a 2008.
De modo a iniciar o processo de avaliação, pesquisadores dos três programas de pesquisa da Fapesp e do Scope realizaram, no dia 26 de fevereiro, na Fapesp, um workshop conjunto para descrever e identificar problemas, desafios e compartilhar perspectivas sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis.
Iniciando uma série de reuniões a fim de discutir políticas para expansão sustentável da produção de biocombustíveis no mundo e o exemplo dado pelo Brasil nessa área, entre outras questões.
Na primeira semana de dezembro de 2013, o comitê científico do projeto vai se reunir na sede da Unesco, em Paris, na França, para escrever os capítulos em que serão abordados os aspectos econômicos e sociais mais transversais da produção de biocombustíveis.
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Engenho da Notícia
Assessoria de Imprensa Cena/USP
Com informações da Agência Fapesp
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Cena/USP sediou Workshop Universidade & Empresa

João Alfredo Saraiva Delgado, presidente do IPDMAQ, falou sobre a importância da parceria entre empresas e universidades
A segunda edição do Workshop Universidade & Empresa, ocorrida no dia 21 de março, no Cena/USP (Centro de Energia Nuclear da Agricultura), reuniu empresários, professores, pesquisadores, autoridade, representantes de instituições de apoio à pesquisa e especialistas em propriedade intelectual.
Abrindo as atividades, o diretor do Cena/USP, Antonio Figueira, abordou alguns conceitos sobre a importância e a necessidade das empresas e universidades se unirem em um objetivo único. “A iniciativa deste workshop é a importância de iniciar uma relação direta entre pesquisadores, cientistas, acadêmicos e as empresas, em especial”, afirmou.
Com o objetivo de refletir sobre novas formas de interação entre as instituições de estudo e pesquisa com as empresas, o evento teve como tema “O Desafio da Inovação”, destacando a importância da atuação do setor acadêmico em empresas privadas para o desenvolvimento de inovações tecnológicas.
“Entendo que a finalidade do evento foi cumprida, ao avaliar que, no dia de hoje, abrimos as portas para o setor produtivo privado para debatermos, nas dependências de uma instituição de pesquisa, formas de incentivar a participação das empresas em projetos inovadores”, afirmou o professor Adibe Luiz Abdalla, organizador do evento e presidente da Comissão de Pesquisa do Cena/USP.
O evento contou com representantes de três das principais agências de fomento à pesquisa do país, com as presenças de Cimei Borges Teixeira, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico); Douglas Zampieri, coordenador adjunto da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo); e Marcos Francisco Almeida, superintendência da regional de São Paulo da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Também estiveram presentes João Alfredo Saraiva Delgado, presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento; Eduardo Brito, da Agência USP de Inovação; Tarcisio Angelo Mascarim, secretário de Desenvolvimento Econômico; e Sergio Barbosa, gerente da EsalqTec. “Nosso objetivo é fazer do Brasil um país de economia inovadora, com produção tecnológica própria, para o surgimento de uma nação desenvolvida”.
O evento foi promovido pelo Cena/USP, em parceria com o IPDMAQ, Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), EsalqTec e Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos).
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Impactos das mudanças no uso da terra em corpos aquáticos
Mudanças no uso da terra que ocorrem atualmente em grande parte do mundo, com maior intensidade nas regiões tropicais – causadas pelos aumentos da população e da demanda por alimentos e energia –, têm provocado diversos impactos na composição química e na biodiversidade dos corpos d’água.
No Brasil, algumas das alterações em rios e lagos resultantes da expansão do cultivo da cana-de-açúcar e da soja e da substituição da floresta por áreas de pastagem de gado têm sido estudadas por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), em parceria com a Universidade de Washington, Ecosystem Center e Wood Hole Research Center – nos Estados Unidos –, além da Universidade de Potsdam (Holanda) e University of British Columbia, do Canadá.
“Temos tentado, cada vez mais, realizar trabalhos interdisciplinares de pesquisa para tentar unir o conhecimento dos sistemas terrestre e aquático dentro de uma abordagem única, sem esquecer a ação do homem, que é extremamente importante nas mudanças de uso da terra”, disse Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Cena.
De acordo com Ballester, membro do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, o cultivo da cana-de-açúcar pode causar diversos impactos ambientais. Um deles é provocado pelo uso da vinhaça (subproduto do refino do álcool) como fertilizante para a cultura. A vinhaça é rica em nitrogênio, composto químico que, em excesso na água de rios e lagos, pode favorecer o crescimento de algas.
Outro problema sério em relação ao cultivo dessa cultura agrícola é a questão da água. “Para produzir 1 litro de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar são necessários 1,4 mil litros da água. É uma produção muito cara em termos de água”, disse Ballester.
Já a fuligem produzida pela queima da cana-de-açúcar durante a colheita, segundo a pesquisadora, contém um tipo de carbono diferente que pode ser assimilado em maior ou menor escala por organismos presentes em um rio, por exemplo.
Ao se depositar no solo ou em um ecossistema aquático, o material modifica a ciclagem de carbono do meio. “A fuligem da cana acidifica o solo e a água e isso tem consequências para o ecossistema”, disse Ballester durante o Simpósio Japão-Brasil sobre Colaboração Científica. Organizado pela Fapesp e pela Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS), o evento foi realizado nos dias 15 e 16 de março, em Tóquio.
Nos casos da transformação da floresta por áreas de pastagem de gado ou de cultivo de soja, como ocorre na região oeste do país, os dois fenômenos têm impactos. A diferença entre eles, no entanto, está nos níveis de impacto.
Por meio de um estudo realizado no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela Fapesp, o grupo de Ballester analisou as transferências de nitrogênio e a biodiversidade de peixes de duas bacias interligadas em Rondônia, com 800 metros de extensão e as mesmas condições físicas. Uma das bacias, no entanto, era margeada por áreas de pastagem de gado e a outra possuía mata ciliar.
Os pesquisadores observaram que o rio que teve sua cobertura vegetal modificada apresentava apenas uma espécie de peixe, enquanto o curso da água cuja mata ciliar foi mantida possuía 35 espécies.
“Quando se retira a vegetação da borda de um rio, entram mais luz e materiais no corpo d’água que fazem com que a água tenha menos oxigênio e modifique as condições locais. Isso afeta a diversidade biológica do ecossistema”, explicou Ballester.
Outra questão observada em estudos no Mato Grosso é que a mata ciliar nas áreas em que se produz soja com certificação socioambiental do produto para exportação é muito diferente das matas ciliares encontradas na mesma região onde o cultivo não avançou. “Não é o mesmo tipo de vegetação”, disse Ballester.
Além disso, de acordo com a pesquisadora, a soja necessita de 32% mais fósforo do que outras culturas e, a exemplo da cana-de-açúcar, retira muita água do solo.
“A grande preocupação mundial com a expansão dos cultivos de soja, de cana-de-açúcar e de milho para produzir agroenergia é saber se as áreas de produção de alimentos serão substituídas por áreas para produção de energia, mas pouco se tem olhado para a questão da água”, disse Ballester.
“A maior parte das áreas de produção de agroenergia não tem água suficiente para manter as culturas com elevada produtividade e será necessário irrigá-las. Isso representa outro problema sério que irá mudar o ciclo da água”, destacou.
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Agência Fapesp
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Cena/USP colaborou com a obtenção de nova cultivar de arroz
Atendendo ao convite da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o professor Augusto Tulmann Neto esteve representando o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP) na cerimônia de lançamento de três cultivares de arroz irrigado, efetuada no último dia 7, na Estação Experimental de Itajai, em Santa Catarina.
Dentre as novas cultivares, destaca-se a denominada ‘SCS 118 Marques’ obtida por mutação induzida com a colaboração, em várias etapas, do Laboratório de Melhoramento de Plantas do Cena/USP, que já vem mantendo este tipo de relacionamento com o a Epagri há longo tempo.
Sementes de arroz foram irradiadas no Cena, com a dose de 250 Gy de raios gama no ano de 2000. A irradiação foi efetuada no irradiador Gammacell 220, obtido pelo professor Tulmann por meio de Projeto Multi Usuário da Fapesp, que começou a operar em 1999.
Desde essa data, centenas de materiais têm sido irradiados, sem custo nenhum, tanto para institutos oficiais como privados de vários estados do Brasil, demonstrando a verdadeira característica de multi usuário deste equipamento. Em alguns casos os resultados aparecem rapidamente, como em esterilizações na área de odontologia, conservação de alimentos e mutações em ornamentais. Porém, como no caso dessa nova variedade de arroz, o processo é mais longo, como é característica dos trabalhos de melhoramento de plantas.
Como descrevem os pesquisadores da Epagri, após a irradiação, na safra de 2000/2001, iniciaram-se os trabalhos de pesquisa, com a seleção de progênies e no ano agrícola de 2005/2006, tinha-se como resultado uma linhagem com características promissoras, a qual foi avaliada em cinco regiões orizicolas do Estado de Santa Catarina, durante três anos. Por seu excelente desempenho agronômico e industrial, a linhagem foi aprovada pelos membros da cadeia produtiva e destinada para registro, proteção e lançamento no ano de 2013, com o nome de ‘SC118 Marques’, em homenagem póstuma a pesquisador da Epagri.
Tal cultivar destaca-se entre outras características pelo seu alto potencial produtivo, alta capacidade de perfilhamento e resistência ao acamamento. Também foram observadas novas linhagens promissoras provenientes de recentes tratamentos de sementes com irradiação e mutagênicos químicos, as quais podem se transformar em novas cultivares no futuro.
Trata-se da segunda cultivar de arroz obtida pela Epagri por meio da técnica de indução de mutação, a primeira, denominada ‘Ando San’, foi e ainda está sendo cultivada com bastante sucesso, o que se espera que também aconteça com esta nova cultivar.
Este resultado indica mais uma vez a utilidade de indução de mutação no melhoramento de plantas e a efetiva colaboração que o Laboratório de Melhoramento de Plantas do Cena está dando na divulgação e uso de técnicas nucleares na agricultura, retribuindo desta maneira, com os recursos públicos recebidos por meio da USP e Fapesp.
Após a cerimônia de lançamento, na qual estiveram presentes dezenas de agricultores, houve uma visita ao campo podendo-se observar o excelente desenvolvimento da cultivar no ponto de colheita.
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Empregabilidade está em alta para pós-graduados do Cena/USP
Levantamento inédito identifica onde atua o pós-graduado formado na instituição
Após concluírem o Programa de Pós-graduação do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), nos últimos três anos, mais de 60 profissionais, conquistaram vagas e estão trabalhando ou desenvolvendo pesquisa para grandes empresas do país. Esse número, que representa 44% dos pós-graduados na instituição, foi levantado pelos docentes e evidencia a qualidade dos cursos de mestrado e doutorado neste órgão da Universidade de São Paulo (USP), representando uma forte possibilidade de ingresso ao mercado de trabalho.
Dos 141 pós-graduados do Cena/USP entre 2010, 2011 e 2012, 62 deles trabalham em empresas de renome como Bayer e DuPont ou são pesquisadores de grandes instituições, como o Centro de tecnologia Canavieira (CTC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Exemplo disso é a bióloga Deborah Nishimura, que concluiu o doutorado no Cena/USP em 2012, e hoje trabalha em um laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) na Bayer.
Deborah conta que está na empresa há um ano e sete meses. “Entrei na Bayer 10 meses antes de finalizar meu doutorado. Conciliei as atividades de bancada com o trabalho, desenvolvendo meu doutorado durante os fins de semana”, explica a bióloga, que trabalha com análises de DNA e proteínas.
Uma recente pesquisa realizada pela rede Universia revela que o desemprego diminui para um terço quando se conclui a pós-graduação. O diretor do Cena/USP, Antonio Figueira, acredita que esta lógica ilustra bem o mercado brasileiro. “As empresas vêm buscando, cada vez mais, profissionais qualificados e, para isso, é preciso se diferenciar dos outros concorrentes. Portanto, acredito que a pós-graduação é a melhor ferramenta para melhorar o currículo”, afirma.
ESPECIALIZAÇÃO
Logo atrás do número de formados que se estabeleceram em empresas no setor de biotecnologia, como empregados ou pesquisadores, está o número de profissionais que optaram por continuar a especialização. 36% dos pós-graduados que passaram pelo Cena/USP nos últimos três anos estão em busca de maior especialização dentro da área de atuação.
Luciana Della Coletta está inserida entre os 51 profissionais que continuam estudando. A engenheira ambiental concluiu seu mestrado no Cena/USP em 2010 e, atualmente, está cursando doutorado no Laboratório de Ecologia Isotópica, também no Cena/USP, sob orientação do professor Luiz Antonio Martinelli.
Estudando a decomposição de leguminosas na Mata Atlântica em duas diferentes altitudes, Luciana se diz fascinada pela Ciência, fato que impulsiona até um possível pós-doutorado. “A Ciência desperta muita curiosidade e fascínio. Penso em, talvez, continuar estudando ou procurar concurso para professor universitário”, revela.
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