USP
- CENA/PCLQ
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DIVULGAÇÃO DA TECNOLOGIA
DE
IRRADIAÇÃO DE
ALIMENTOS
E OUTROS
MATERIAIS
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Conservação
pelo calor
Texto: Adriano Costa de Camargo
Orientação: Prof. Dr. Júlio Marcos Melges Walder
Laboratório de Irradiação de Alimentos e Radioentomologia
O uso de calor para conservar alimentos tem por objetivo a
redução da carga microbiana e a
desnaturação de enzimas. Vários tipos de
tratamento térmico podem ser aplicados, a depender da
termossensibilidade do alimento e da sua suscetibilidade à
deterioração, bem como da estabilidade requerida do
produto final. Um tratamento térmico seguro deve ser selecionado
com base no binômio tempo-temperatura requerido para inativar os
microorganismos patogênicos e deterioradores mais
termorresistentes em um dado alimento e da embalagem (Azeredo, 2004).
Existem diferentes tipos de tratamento pelo calor, desde os mais
conhecidos, como a pasteurização e
esterilização, até os menos conhecidos da grande
população, como o branqueamento.
Pasteurização
O método da pasteurização leva este nome em
homenagem a Louis Pasteur, o primeiro a perceber que havia a
possibilidade e inativação de microorganismos
deterioradores em vinho por meio da aplicação de calor.
A pasteurização tem como objetivo principal a
destruição de microorganismos patogênicos
associados ao alimento em questão. Um objetivo secundário
é aumentar a vida de prateleira do alimento, reduzindo as taxas
de alterações microbiológicas e
enzimáticas. Os produtos pasteurizados podem conter, ainda,
muitos organismos vivos capazes de crescer, o que limita sua vida de
prateleira. Assim, a pasteurização é, muitas
vezes, combinada com outros métodos de conservação
e muitos produtos pasteurizados são estocados sob
refrigeração (Potter & Hotchkiss, 1995).
Microorganismos patogênicos são os que causam
doenças a quem ingere o alimento, por meio da
ingestão de alimento contendo carga microbiana ou toxinas
produzidas pelos microorganismos.
Existem três tipos de pasteurização
- pasteurização
lenta, na qual utilizamos temperaturas menores durante maior intervalo
de tempo. Este tipo é melhor para pequenas quantidades de leite,
por exemplo o leite de cabra. A temperatura utilizada é de 65˚C
durante trinta minutos.
- pasteurização
rápida, na qual utilizamos altas temperaturas durante curtos
intervalos de tempo. É mais utilizada para leite de saquinho, do
tipo A, B e C. A temperatura utilizada é de 75˚C durantes 15 a
20 segundos, na literatura, freqüentemente encontramos este tipo
de pasteurização com a denominação HTST
(High Temperature and Short Time), alta temperatura e curto tempo.
- pasteurização
muito rápida, na qual as temperaturas utilizadas vão de
130˚C a 150˚C, durante três a cinco segundos, este tipo é
mais conhecido como UHT (Ultra High Temperature) ou longa vida.
Esterilização Comercial
Para alimentos, quando dizemos esterilização estamos nos
referindo, na verdade, à esterilização comercial,
ou seja, não atingimos a temperatura que tornaria o alimento
completamente estéril. Se isso ocorresse, o alimento tratado
não se tornaria interessante para o consumo do ponto de vista
nutricional e sensorial.
Segundo Potter & Hotckiss (1995), a esterilização
comercial refere-se a um tratamento térmico que inativa todos os
microorganismos patogênicos e deterioradores que possam crescer
sob condições normais de estocagem. Os alimentos
comercialmente estéreis podem conter um pequeno número de
esporos bacterianos termorresistentes, que não se multiplicam no
alimento. A maior parte dos alimentos enlatados é comercialmente
estéril, tendo uma vida de prateleira de pelo menos dois anos.
Mesmo após períodos mais longos de estocagem, sua
deterioração, geralmente, ocorre devido a
alterações não microbiológicas.
Para reduzirmos os danos sensoriais e nutricionais aos alimentos
tratados pelo calor, o melhor é submetermos os alimentos ao
menor tempo de exposição ao calor que for possível
e utilizarmos temperaturas mais altas. Isso minimiza as
possíveis perdas nutricionais e sensoriais e atinge bons
resultados no que se refere à segurança
microbiológica.
Branqueamento
Na parte de frutas e hortaliças o branqueamento
é freqüentemente utilizado. Este tratamento térmico
tem a finalidade de inativar enzimas que poderiam causar
reações de deterioração, como o
escurecimento. As reações enzimáticas são
responsáveis por alterações sensoriais e
nutricionais, principalmente no período de estocagem.
Algumas das razões que justificam a necessidade de
inativação enzimática previamente a diferentes
tipos de processamento são as seguintes (Fellows, 1998):
- No caso de
produtos a serem congelados, a temperatura de congelamento geralmente
utilizada durante a estocagem (-18ºC) não inibe totalmente
a atividade enzimática.
- Os processos de
desidratação, geralmente, não utilizam
temperaturas suficientes para inativar enzimas, requerendo um
branqueamento prévio para inativá-las.
- Nos processos de
esterilização, o tempo necessário para que a
temperatura de processo seja atingida, especialmente quando se utilizam
recipientes de grandes dimensões, pode ser suficiente para
permitir que ocorra atividade enzimática.
O branqueamento tem, também, outros efeitos, como o de reduzir a
carga microbiana inicial do produto. Além disso, o branqueamento
promove amaciamento de tecidos vegetais, facilitando envase, e remove
ar dos espaços intercelulares, auxiliando, assim, a etapa de
exaustão (retirada do ar do produto e do espaço livre das
embalagens, antes do fechamento). A remoção de ar pode,
ainda, alterar o comprimento da onda da luz refletida no produto, como
ocorre em ervilhas, que adquirem uma cor verde mais brilhante (Azeredo,
2004).
Bibliografia
AZEREDO, Henriette Monteiro Cordeiro de. Fundamentos de estabilidade de alimentos. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2004. 195 p.
FELLOWS, P.J. Food processing technology: principles and pratice. New York: Ellis Horwood, 1988. 505 p.
POTTER, N.N.; HOTCHIKISS, J.H. Food Science. 5.ed. New York: Chapman & Hall, 1995. 608 p.
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